segunda-feira, 27 de junho de 2011

Aniversário.

Como filho... como filho é meu papel amar e respeitar meus pais incondicionalmente. Como comunicólogo, eu lido com o tratamento da informação, sua manipulação e a sua disseminação nos mais diversos meios de comunicação. No meio disso, é meu papel tornar público e denunciar qualquer distorção de fatos e manipulação errônea do que chega na sociedade, como é o caso do vídeo abaixo. O discurso foi proferido pela deputada Myriam Rios (PDT) dia 21/06 , condenando a PEC 23/2007 (Tipo um PL122/06, no Rio de Janeiro).


Antes de comentar qualquer coisa que a deputada diz, leiam a alteração proposta pela PEC 23/2007, partindo do pressuposto que ela passaria:

" Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (tais como idade, raça, cor, gênero ou identidade de gênero, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, orientação sexual, origem nacional ou social, riqueza, nascimento.), garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. "


Pergunto com toda sinceridade possível: Há, no trecho acima, alguma proposta extremamente absurda, indecente ou incoerente com aquilo que é dito na nossa constituição como "Todos são iguais perante à lei" ? Existe ali alguma afronta à qualquer grupo social? Alguma vantagem? Cidadãos acima da lei ou com privilégios?

No ataque à PEC 23/2007, a deputada resguarda para si o direito de "não querer um funcionário homossexual na minha empresa, se não for da minha vontade." (2:24). O Artigo 5º coloca que pessoas negras, por exemplo, não podem ser demitidas de uma empresa em função da sua cor. Pergunta: Isso é exagero de proteção? É um privilégio concedido aos negros, ou nada mais do que um direito adquirido?  Sendo assim, qual o motivo de falarem que os gays "se colocam em um patamar de superioridade perante à lei" ao quererem ser incluídos nesse parágrafo?

A deputada cria uma situação para exemplificar a fala acima: "Digamos que eu tenha 2 meninas em casa, e contrate uma babá, e essa babá se mostre Lésbica. É a opção dela, a orientação sexual é dela, ela escolheu... Ela é livre. Se a minha orientação sexual não for essa, for contrária e quiser demití-la, eu estaria enquadrada na PEC. [...] Eu vou ter que manter a babá na minha casa, e sabe Deus se ela vai cometer pedofilia com as minhas filhas". (2:39) ; (3:43)

A argumentação da deputada, que se estende até o fim do vídeo com outro exemplo parecido com o acima, se pauta no medo que ela sente em ter suas filhas molestadas pela babá Lésbica. Não tiro o direito dela, é lógico. Todo pai e mãe teme que seus filhos passem por esse tipo de coisa. Mas e se, no caso, fossem dois meninos e uma babá heterossexual? Ou, como no exemplo seguinte, um motorista - também hétero - e as mesmas duas meninas? A deputada parte do pressuposto que, já que a contratada é lésbica, ela vai ser pedófila e vai molestar suas filhas.  Dizer que isso não é preconceito é um absurdo, da mesma forma que também é preconceito dizer que um empregado negro não vai exercer suas funções direito porque ele é negro. A partir do momento em que a orientação sexual de uma pessoa não é incapacitante para a função que ele ou ela se dispõe a fazer e, mesmo assim ela é demitida, enquadra-se sim no mais profundo preconceito, tão defendido e resguardado pela deputada.

Em certo ponto, ela diz que: " sabe Deus se ela vai cometer pedofilia com a minha filha, e eu não vou poder fazer nada! Não vou poder demití-la pois vou estar enquadrada na PEC!" (3:40) "Quando eu descobrir que o meu motorista homossexual poderia estar tentando bulinar o meu filho, eu não poderia demití-lo, porque a PEC não deixa." (5:13). No universo descrito por ela, então, pedófilos héteros não existem. Perceberam como a manipulação foi feita? Pra poder ter o impacto de dizer que a PEC defende o molestador a deputada tira, da cabeça dela, que homossexualidade e pedofilia são a mesma coisa, fazendo a distorção pra convencer o resto dos presentes. Ora, ontem (27/06) todos pararam pra ver a repercussão que um site de pedofilia HÉTERO causou nas redes sociais afora (www.sexoinfantil.blogspot.com - já retirado do ar). É uma pedofilia menos nojenta, menos repulsiva? Ou contratar um motorista hétero E pedófilo pode, mas contratar um motorista gay - que na visão dela já é o mesmo que pedófilo - é inaceitável?  

"Representando o povo, eu quero representar e defender as crianças, os jovens inocentes. Que se essa PEC passa, e um rapaz que tem uma orientação sexual PEDÓFILO (Pasmem!),  e a orientação dele É TRANSAR com meninos de 3 a 4 anos nós não vamos poder fazer nada, porque ele está defendido pela lei." (7:05)

Fico extremamente desesperançoso em saber que gente que diz absurdos incoerentes como esse são os responsáveis por criar as leis que nos protegem. Igualam homossexuais - pagantes de impostos, trabalhadores, brasileiros e que merecem a felicidade e o respaldo legal - a criminosos mentalmente doentes. Não vou ficar aqui defendendo porque gays não são pedófilos, ou porque pedófilos merecem isso ou aquilo. Aliás, não vou defender nada. Estou profundamente magoado e ofendido pelas coisas que acabei de ouvir. Não se diz essas coisas a alguém que simplesmente quer ser feliz. Não se diz essas coisas a ninguém. Dia 21/06 foi meu aniversário de 20 anos, grande presente esse que eu ganhei.

domingo, 26 de junho de 2011

Homofobia em Belo Horizonte






Transcrito aqui o depoimento de I.F.:

Ontem, dia 23 de Junho, às 6:40 da manhã, eu, I.F. e meu amigo J.M. fomos vítimas de uma agressão física e moral seguida de uma assalto ocasional, no bairro Sion. Eu voltava de uma reunião de amigos num apartamento na rua Montevidéu, em direção à Nª Sra. do Carmo. Era apenas um quarteirão de distância e um beco largo de escadas que dava acesso à avenida. Próximo às escadas, na rua Venezuela c/ Montevidéu dois rapazes desconhecidos passaram por nós. 

Foi quando senti uma cusparada, e imediatamente percebi que os cuspes vinham do rapaz mais alto, que vestia preto e boné. Eu me virei a ele e perguntei de maneira calma você me cuspiu? ». ele me respondeu agressivamente qual o problema? » imediatamente me acertando a testa com um chute. Nesse momento eu caí e J.M. segurou minha cabeça próxima à sua barriga, protegendo-a dizendo não bata nele não » e tentando me arrastar. Recebi mais socos e chutes nas costas e J.M. foi agredido nas costas e na cabeça, que inclusive ainda dói, segundo ele. Segundo ele também, os agressores, tentaram me tirar dele, enquanto ele segurava minha cabeça. Nisso, puxaram sua mochila e a arrebentaram, levando-a em seguida quando nós fugimos. Essa parte eu não vi pois já tinha levado o chute na cabeça. Nós fugimos em direção de volta ao prédio e eles subiram a rua sentido Carrefour com a mochila. Presenciaram o ataque pessoas que estavam na padaria na rua Venezuela. 

Quando voltamos correndo ao prédio pedimos auxílio ao segurança da portaria, e ele, não podendo abandonar o prédio, nos orientou a ligar para a polícia. Minha testa sangrava quando desceu um terceiro amigo, D.D., para o hall do prédio. Entramos no seu carro e saímos a perseguir os rapazes enquanto esperávamos a viatura. Virando a esquina, passando em frente a padaria, pessoas nos reconheceram. Eles tinham em mãos a mochila de J.M., rasgada, e diziam que os rapazes a abandonaram ali no chão mas seguiram com uma pasta vermelha (que continha um notebook) subindo a rua. 

De carro, nós os avistamos andando calmamente pelo alto da rua da 124º Cia. da Polícia e informamos à polícia. Duas viaturas passaram por nós e nós as seguimos. Encontramos os rapazes deitados no chão e algemados pela polícia na Praça Nova York. Ao lado, os pertences roubados do meu amigo. 

Fomos conduzidos a prestar queixa num setor da polícia militar na Rua Trífana, bairro Serra, junto com os agressores algemados. Como num primeiro momento ficamos todos no hall, pude ouvir algumas informações dos agressores e anotá-las (as informações completas eu espero ter acesso à partir do recebimento do boletim de ocorrência): Os rapazes são: Rúbio L.M. (não divulgarei os nomes completos aqui), estudante de arquitetura da Universidade Fumec, 20 anos; e Juliano L. V., estudante de Direito (pasmem!) da faculdade Newton Paiva, também 20 anos. Um mora no bairro Anchieta, e outro no Nova Suíssa. Ainda não pude identificar qual mora em qual, mas o policial classificou a condição social dos rapazes como classe média/classe média-alta. 

Enquanto eu aguardava na sala ao lado em que os rapazes eram interrogados, pude ouvir trechos de seu depoimento, em que chegaram a dizer descaradamente que não roubaram o notebook, a inventar que nós quatro nos envolvemos em uma briga, tendo um deles afirmado até mesmo que eu e J.M. os teríamos assediado, “mexendo com eles e passando a mão nos corpos dos rapazes”. 

Fomos ouvidos pelo delegado da 1ª Delegacia Distrital da Polícia Civil de Minas Gerais, na avenida do Contorno com a rua Carangola, Santo Antônio, onde nos encontramos também com as mães dos dois rapazes, ambas aos prantos e nos pedindo desculpas pelo ato dos filhos. A mãe de um dos rapazes, Juliano, disse não conhecer Rúbio, o outro, amigo do filho. Disse que ele nunca frequentou sua casa. Fui eu ao IML fazer a análise de corpo de delito por volta da 1h da tarde. 

Temos como testemunhas o porteiro e segurança do prédio em que estávamos, na rua Montevidéu, um taxista que identificou a mochila de J.M. e o dono da Padaria na rua Venezuela, que já se prontificou a prestar testemunho em nosso favor. 

Se você tem contato com alguma qualquer mídia de circulação relevante, ou com grupos sérios, governamentais ou não, de apoio aos direitos, por favor, passe o meu contato ou o encaminhe o meu depoimento. Terei acesso à uma cópia do boletim de ocorrência e do laudo do IML na segunda-feira. Grato, I.F.


http://homofobiaembelohorizonte.tumblr.com/ <- fonte
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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Marcha da maconha, Dilma Rouseff e o veto.

E, não mais que de repente... Retrocedemos. Não de ponto de vista social, com o abuso do poder dos policiais na marcha da maconha; ou pela decisão lamentável da Presidente de ter suspendido a elaboração do "kit anti-homofobia" agora há pouco (25). Não do ponto de vista governamental, com a parte de política do UOL contabilizando 38 (TRINTA E OITO!) escândalos do governo desde o início desse ano . Simplesmente retrocedemos.

Parece aquela velha história; "Alegria de pobre dura pouco". Norteados pela democracia, tivemos avanços importantes em todas essas áreas nesse pouco tempo de governo. Não apenas me pautando pelos avanços LGBTs, mais que claros e evidentes nos noticiários que vemos por aí. Parecia que o povo estava, finalmente, tomando consciência da sua importância como massa não-passiva ( do seu próprio jeitinho, lógico. Nada mais brasileiro do que fazer um protesto começando com um 'churrascão' de Higienópolis). A modernidade parecia estar conseguindo chegar ao nosso país. Atrasada, como há de ser TUDO no nosso país, mas estava chegando.

Parecia.

"Dilma Rousseff manda suspender kit anti-homofobia, diz ministro" (G1) ; "Dilma irrita-se com Código Florestal e promete veto." (Uol) ;  [Dilma] achou vídeo 'inapropriado' e bancadas religiosas haviam ameaçado convocar Palocci. " (G1). Dilma irrita-se, Dilma veta. Dilma diz e Dilma faz acontecer. Achei que a tivessemos escolhido em uma votação democrática uma vez que é nela (a democracia) que vivemos. De um dia pro outro, ela simplesmente ~escolhe~ passar por cima do congresso não duas, nem três, nem quatro vezes, preferindo defender a politicagem em seu governo em detrimento de um sistema do qual eu ( e acredito que todos os brasileiros) nos orgulhamos em viver. É triste perceber que opiniões não podem ser defendidas no nosso país sem abuso de poderes de algum lado. Não gostei? Spray de pimenta nos maconheiros. Não gostei? Veto o que eu quiser.

Retrocedemos não pelas idéias defendidas, pela politicagem, pelos inúmeros problemas logísticos nas áreas mais básicas do nosso páis ou pela bancada evangélica pútrefa que temos no Brasil (Ok, ok. Retrocedemos pela bancada evangélica pútrefa que temos no Brasil, mas isso é outra história). Retrocedemos por estamos mexendo com o conceito mais sutil da nossa sociedade, cuja falta seja, talvez, o elo que mais incite  revolta: A liberdade de expressão.


Posso não concordar com algo. Assim como não defendo a legalização da maconha; assim como não defendo o nepotismo; assim como não defendo a politicagem na qual nosso país está inserida há anos ( e não me venham com essa, pêemedêbistas, de que é culpa do PT), não defendo várias coisas. Entretanto, não posso JAMAIS tirar de alguém o direito de discutir os rumos do nosso país. Não somos Petistas. Não somos PMDBistas. Não somos PSDBistas.


Somos brasileiros.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Demônio (Devil) - 2010



     Em algum dia comum em New York, 5 pessoas ficam presas em um dos elevadores de um dos vários arranha-céus do centro da cidade. Eventos envolvendo a situação na qual os protagonistas se encontram e a investigação policial encabeçada pelo Detetive Bowden (Chris Messina), somada à uma crença religiosa de uma história pra crianças envolvendo o Demônio são as diretrizes que permeiam os 80 minutos do filme.

    Em todo filme de suspense, é de interesse do diretor que exista um personagem no qual o telespectador se espelhe e projete durante a exibição. A mocinha que corre do bandido, o mocinho que luta contra as organizações secretas. Talvez o erro principal em "Demônio" seja o fato que esse personagem seja um segurança extremamente religioso, que mina o filme com a crença de que o Demônio esteja por trás das mortes inexplicáveis que ocorrem dentro do elevador. Não é uma premissa totalmente absurda, já que o filme lida com uma das facetas de um folclore presente na mente de grande parte da população. Mas, daí, querer provar a sua teoria demoníaca jogando uma torrada com geléia pra cima e o fato de ela cair pra baixo ser uma prova incontestável das obras do renegado é, no mínimo, subestimar a inteligência do espectador. Lei de Murphy agora virou teoria satãnista, é isso?! Essa é, segundo a dinâmica do filme, a voz da razão da qual todos (telespectador e personagens) tendem a ouvir durante o filme. Some isso à péssima atuação dos atores do núcleo de fora do elevador, que em momento nenhum conseguem realmente colocar a tensão necessária pra um filme com esse nome, e aí está um resultado desastroso que eu ainda reflito se é um trabalho decente pra ser colocado aqui.

    O roteiro tenta, sem sucesso, colocar uma trama de fundo pro personagem principal. A morte da família do detetive num acidente "hit and run" poderia ter sido mais explorada, já que parece ser o motivo pelo qual o personagem principal se mostra tão cético à idéia do demônio. Somada a uma atuação um pouquinho menos porca de Messina, esse núcleo poderia ter sido um ponto que pelo menos tentasse salvar a história buscando um contexto mais plausível e razoável do que um " Olhe, a geléia ficou virada pra baixo! TUDO dá errado! " 

   Mas, tá, o filme não é uma porcaria completa. A atmosfera sombria do filme é feita com sucesso pelos shots externos. Cenas de chuva batendo nos vidros, céus pesados e uma trilha sonora super condizente com a projeção são aspectos que devem ser levados em consideração. Cenas salvas da falta de bom senso nas falas dos personagens, que dão um espaço de tempo considerável pra que quem assiste o filme consiga se inserir no clima que é proposto, o que salva uma parte do dinheiro gasto de quem vai ao cinema com a espectativa de não ter sua inteligência e bom senso insultados.

   É uma premissa legal, mesmo que já tenha sido trabalhada umas 3 milhões de vezes pelo cinema. Crenças universais como a de uma entidade maligna onipresente sempre serão um bom preview , uma vez que sempre haverá alguém pra acreditar nelas. Mas o roteiro absurdo, as falas sem nenhum bom senso e idéias interminadas deixadas de lado no meio da exibição (como as cenas desperdiçadas da perícia do suicídio que abrem o longa ) destroem qualquer boa vontade de quem tenta se divertir vendo algo decente.

4/10

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Tio Lula - Eulogia.

Queridos amigos, familiares, conhecidos, atletas e funcionários do Mackenzie Esporte Clube:


Uma vez me foi dito que “O sábio aprende com as vivências dos outros.”. Até hoje, esse ditado me caiu muito bem. Entretanto, o falecimento do meu padrinho me parece ser a exceção que determina a regra. É impossível imaginar o estado de espírito de alguém que está de luto, por mais detalhadamente que a pessoa explique e exemplifique. Essa inversão da natureza que vejo, onde pais enterram filhos, sobrinhos enterram tios, ainda não me é compreensível. Não sei se um dia será.

 Neste momento não questiono nada. Simplesmente sinto. Simplesmente repito e me acalanto pela oração “SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU”. Essa oração que pede ou suplica a Vontade de Deus leva-nos a aceitar o nosso desligamento dessa Santa Vontade pelo pecado, que, infiltrado em nossas entranhas, nos faz reféns de nós mesmos e dos nossos caprichos. Caprichos esses desenhados pelo tio Lula com maestria. Incentivado por ele a praticar esportes, a primeira coisa que aprendi com o técnico Piu, do Mackenzie, foi que “ a menor distância entre dois pontos é uma reta”, ao me ensinar a dar passes com a bola. É piu, você estava certo. Por mais que desenhemos a nossa vida, nos passos parabólicos e divertidos de um copo de cerveja e uma risada, sempre haverá esses dois pontos, o inicial e o final, dos quais não podemos fugir. Nesse instante, parece que a mente silencia e o coração se aquieta. Uma sensação de vazio toma conta da gente.

Quem sou eu, quem somos nós para questionarmos os designos; a vontade de Deus ???
 Neste momento, lembro de forma muito intensa e viva a vida que tivemos com o Luiz Henrique, Tirrico, costinha, Lula e mais recentemente com o Tio Lula.

Memoráveis são as lembranças que tenho dos casos que ouvia dele, contando sobre as brincadeiras da sua infância. Ele detalhando cada momento passando sabonete e jogando água no corredor quando ia tomar banho com a mamãe, dizendo que era o seu escorregador! Da vovó dizendo que fazia brigadeiro para que levassem nas festinhas da escola e ele comia tudo pelo meio do caminho. É tão Tio lula! As brincadeiras na garagem com os amigos e vizinhos, de futebol com bola de meia, queimada, descendo a rua de bicicleta , correndo , brincando de pegador, policia e ladrão. Qual mãe não ficaria com o coração na mão, tendo um filho hiperativo desses, e morando na descida da Alvarenga Peixoto? Uma infância bem aproveitada. Com o tempero de alguns ossos quebrados e pinos no braço; mas, inegavelmente, uma infância BEM aproveitada!

Agora, quem me fala é a mamãe, contando das  férias dela e do titio. Da sua adolescência, amizade e cumplicidade entre os dois e o tio Julinho. Essa não é uma parte difícil de imaginar. Sentimentos interpessoais que duraram até o último segundo que poderiam ter durado.  Ela lembrava de quando ficavam assentados no muro de casa conversando com os amigos e comendo cachorro quente no carrinho na esquina. Bem diferente da minha juventude. Mas, mesmo assim, também imagino como seria, com carinho.

E assim o Lula, Luiz Henrique foi crescendo, sempre cercado de amigos, sempre sorrindo, contando casos, piadas. Era uma pessoa inatingível, e sempre tinha um sorriso no rosto, por mais difícil que a situação se apresentasse. Li num livro uma vez que “Tudo é contagiante.” Ihh, nem precisava ter lido! Contágio era o que eu sentia quando chegava nas festas de família, triste por ter que largar meus brinquedos em casa, e chegava o tio Lula, me abraçava e falava “ Qual que é o padrinho que você mais gosta?!” Mamãe me ensinou que eu tinha que responder “ Tio Lula”,  mas a resposta já saía naturalmente.

Permito-me lembrar também que, assim como qualquer um de nós, ele também tinha seus defeitos. Como disse o único não-pecador que já andou pela terra : Atire a primeira pedra quem nunca cometeu um pecado, quem nunca tenha errado. Pecados acontecem. Erros são cometidos. Cestas não são feitas, Bloqueios não são furados, passos não ficam bons e pessoas tropeçam na cochia. Mas, diferente do esporte e da dança, não temos tempo pra praticar a vida. Ela acontece aqui, ela não tem ensaio ou treino  e, por mais que desejemos a cesta, a bola quicando do outro lado da rede, damos um tapinha nas costas do nosso colega de equipe, entendendo que todos erram. Erramos na quadra, erramos no palco, erramos na vida; o maior esporte em equipe que já existiu.

É difícil expressar por meio de palavras  o pesar com o qual convivo, de, dadas as circunstâncias com a qual ele partiu, não ter dito uma última vez pra ele “ Tio lula, você é o padrinho que eu mais gosto! É o único, mas é o que eu mais gosto!” . Aliás, acho que a vida seria muito chata se nós pudéssemos prever o futuro, mesmo que ela pregue essas peças desagradáveis de vez em quando. A vida é muito corriqueira e cheia de tarefas. Mas, quando uma pessoa parte assim, gostaríamos sempre de ter dito a nossa última palavra de carinho. Então, quando vocês chegarem nas suas casas depois dessa missa, esqueçam os compromissos, as briguinhas e as tarefas. Só por hoje, permitam-se entrar em contato com as pessoas que vocês vêem todo santo dia, e digam que as ama. Não simplesmente porque você as ama mesmo e isso é uma verdade pra você, mas porque você talvez nunca tenha dito isso. Acreditem, eu gostaria de ter dito. Tio, te amo MUITO.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Poderia ter sido você.

" Ah, pronto. Tava demorando MUITO pra dar alguma coisa errada. "


    Foi o que eu ouvi do Luiz Felipe que estava do meu lado, quando, após ter marcado metade das questões no caderno de respostas, percebeu que a sua prova amarela era uma das fatídicas 4000 com problemas na impressão. Poderia ter sido eu que, bobão e brincalhão como sou, disse " Ah não, eu quero a branca, de paz, pq quero paz com os concorrentes! " ao negar a tal prova amarela que me seria dada no início da prova. Poderia ter sido a Adriana. Amiga querida do cursinho que se prepara há QUATRO ANOS em cursinhos pra conseguir uma vaga em medicina na tão sonhada UFMG.

   Poderia ter sido você.

  E se tivesse sido você, qual seria o sentimento? Revolta, tristeza, indignação? Mas que bom que não foi. E agora passam na cabeça daquele Luiz Felipe ( Bonito, assim como todos nós! ) que deve ter sacrificado alguns vários fins de semana. Saídas, festas, baladas, amigos, bares, bebidas e noites de sono pra se preparar pra uma prova. Horas, horas e mais horas. Incontáveis garrafinhas de água dentro da biblioteca estudando, lendo e se preparando pro possível, mas cada vez mais distante, sonho de uma universidade federal.

   Isso tudo pra que!? Pra sermos testados psicologicamente ao vermos colegas, recém conhecidos entrando no desespero ao ver que a sua prova estava MAL IMPRESSA! PORCAMENTE ORGANIZADA! Ele era uma pessoa que nem eu! BRINCARAM com o futuro de um jovem médico, um jovem fisioterapeuta, engenheiro, publicitário e sabe-se-lá quantos outros futuros profissionais! É absurda e inconformante a situação que nos foi imposta nesse fim de semana!

   Não tenho o coração de pedra pra agradecer que nada aconteceu comigo, me felicitar pelos meus 129 acertos e mandar pra puta que o pariu quem teve a prova errada. Não estou aqui no direito de opinar se a prova deve ou não ser anulada, se deve ou não ser refeita ou entrar em qualquer outro mérito do tipo. Estou aqui pra simplesmente lembrar, a TODOS os que prestaram esse exame, que estamos falando de SERES HUMANOS! esses que agora, provavelmente, tentam mover mundos pra minimizar os erros dos outros pra não verem os seus futuros, tão desejados, adiados por sabe-se-lá quanto tempo. Não! Não são 0,04% dos concorrentes. São quase cinco mil pessoas que tiveram seus sonhos e sua confiança abalados.

  " Ministro considera baixo o número de prejudicados no ENEM. " ( Uol ).

  Que tivesse sido UMA pessoa, Sr Ministro Haddad. Foi uma pessoa que perdeu completamente a confiança no ENEM, que agora sofre por problemas dos outros. Foi UMA pessoa que se preparou, estudou e ralou. Pegou ônibus lotado e não aguentou mais ficar estudando. Qual foi a última vez que o Sr chegou PERTO de uma situação como essa? Nos impõem restrições absurdas, como a do lápis e borracha, mas são incompetentes o bastante pra não revisarem uma prova antes de ela ser impressa. PAREM de achar que vocês são inatingíveis e que " Nada de errado acontecerá no ENEM desse ano " , como postulou o Sábio e sempre coerente Clélio Campolina, atual reitor da UFMG. Não somos nós que, armados de lápis e borracha, causamos as bestialidades astronômicas no exame. São vocês, munidos com uma arrogância e petulância que beiram o ridículo. Foram vocês em 2009. Foram vocês em 2010.

  É simplesmente desgastante ver que o representante da educação do nosso país trate com tanta frieza numérica o número de pessoas que foram abaladas com o exame. Aliás, não é a primeira vez que falo sobre essa distância entre política prática e sociedade aqui. Simplesmente desgastante e incoerente com o Brasil com essa democracia consolidada e economia emergente que temos. Ultrajante.

  Posso ter escrito esse texto com o coração na mão. E me desculpem os leitores que eu tenha usado o meu blog pra expressar minha indgnação com a situação que me foi imposta. Tomei as dores do Luiz Felipe. Dos Luiz Felipes, Andrés, Lucas, Bárbaras que passaram pela mesma situação que o meu homônimo. Tomei as dores porque eu sei que poderia ter sido comigo, aconteceu com o Luiz Felipe.


E poderia ter sido você.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

E a desumanização?

 De uns tempos pra cá, eu tento arranjar um tempo pra mandar a minha câmera de vídeo pro conserto pra poder usá-la como um meio de comunicação entre mim e os leitores do meu blog. Ficar escrevendo, lendo e relendo pra fazer correções me toma tempo demais, e é massante pra alguém que presta vestibular como eu. Por causa disso, deixei alguns temas recentes ( Como a polêmica da Dilma com o aborto, os outdoors no rio contra a união gay do pífio Malafaia, a drogada da Weslian Roriz falando do estúdio do debate do DF, entre outros. ) passarem batido, com a promessa de que retornaria a eles assim que possível. 

Mas não dá. A revolta é MUITO grande.





   Ele disse que, com essa mensagem, pretende “despertar o povo de Deus para a gravidade” de projetos de leis que tramitam no Congresso Nacional e em Assembleias Estaduais em favor dos homossexuais.




   Alguns posts atrás, eu dissertei sobre a igreja e a sua presença constitucionalmente indevida no congresso nacional. Não quero voltar nesse assunto, uma vez que eu repetiria tudo o que já escrevi. Entretanto, é interessante perceber a frieza com a qual as questões que envolvem o bem estar das pessoas são tratadas. Último hiperlink do post, e eu começo a escrever : Vice diz que Serra vai ser contra direitos dos gays .


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   É aqui que a frieza do homem é evidenciada: Não somos mais conotados como seres humanos. Gays, humanos?! Somos apenas as pessoas que sofrem de homossexualismo. Pessoas-alvo de manifestações de repugnância como a denunciada pela foto acima. Mas é até certo ponto "natural" que as questões que se afastam da realidade social das pessoas sejam mais desprezadas. Um idoso, por exemplo, está muito mais preocupado com as questões eleitorais que envolvem INSS, saúde pública do que aquelas que envolvem a política externa do Brasil. No caso dos homossexuais, uma pessoa que se vê distante do convívio com um gay ou uma lésbica se torna alheia às dificuldades dessa minoria e isso, somado às ações de ódio promovidas pelas igrejas, incitam um ódio e uma desumanização totalmente gratuita. Partindo desse preceito de não-humanização, me parece até compreensível que o pastor não demonstre qualquer culpa ou peso na consciência ao atrasar a igualidade de direitos entre homossexuais e heterossexuais. Sua "fé" o distancia de qualquer possível convívio saudável com os gays.



   Me surpreende e assusta saber que pessoas como ele e a maioria dos senadores que decidem o que é certo ou errado no nosso país são tão alheios e distantes  das necessidades do povo. Demoram anos para aprovarem projetos que eletrificam casas afastadas dos territórios urbanos. Não demonstram o MENOR esforço em fazer com que leis como a Maria da Penha sejam mais eficientes. Roubam o máximo que podem e até colocam preço na alma das pessoas! .


   Qual o motivo disso? Um só: A distância entre quem pode resolver o problema e quem sofre dele. Sejam sinceros: Quantos desses senadores têm, realmente, ALGUM  contato com a população mais pobre? Quantos deles realmente sentem na pele a NECESSIDADE de um programa decente de educação ou saúde pública, pra que essa necessidade gere a urgência nas decisões a serem tomadas? Qual deve ser o contato desses terroristas cristãos com algum gay/lésbica, pra que percebam o ser humano por trás da antagonia aos dogmas bíblicos ?

   O fato de a população LGBT ter ou não algum direito não afeta em absolutamente NADA a vida de pessoas como o Malafaia, a não ser pelo ego massageado de atrasar a vida de alguém em prol da sua crença religiosa. Defender a família?! A família muito antes de ser composta por heterossexuais ou homossexuais é composta por SERES HUMANOS, que deveriam ter sua segurança e princípios legislativos BÁSICOS assegurados. Nossa união não é reconhecida, não doamos sangue, não temos licença Luto, só pra listar as mais básicas! Uma pessoa que convive diariamente com os gays, ou que se vê inserida numa realidade de risco social JAMAIS apoiaria atrocidades retrógradas como essas! Essas pessoas são seres humanos, MUITO ANTES de serem gays ou pobres, e é exatamente por essa característica em comum, a humanidade, que todos merecemos tratamentos iguais. E sermos tratados como iguais significa que devemos ter direitos às mesmas coisas, seja ela uma lâmpada acesa em casa, proteção, saúde e ensino públicos ou ter a minha relação com qualquer ser humano aceita e defendida pela lei.

  Uma pessoa que não vê humanidade em um homossexual não tem NENHUM direito de falar sobre moral e bons costumes. " Você vive de favor? Recebeu alguma ajuda de algum amigo? Então doe 30% para a nossa igreja que Cristo abrirá as portas da casa própria pra você! " . É revoltante e desgastante o ódio e a obsessão que esses "homens de Deus" tem em tentar me subjulgar perante a eles. Sou homossexual, e por isso mereço menos direitos? A última pessoa na história que defendeu a hierarquia das raças humanas no mundo foi Hitler, causando a morte de... quantas pessoas mesmo? Ah, sim. FORAM SEIS MILHÕES DE MORTOS.

Mas que número é esse, né? Se comparado ao da Inquisição...  NOVE milhões.



 Tenho pena, muita pena, de quem segue esse genocida e ainda acha que faz algum bem ao próximo. Quer o meu bem? ACEITE a humanidade presente em cada um de nós, independente de qualquer coisa. Obrigado.